Pular para o conteúdo principal

Gestão estratégica de RH e Compliance



* Alexandre Tavares

A complexidade e a multiplicação das questões trabalhistas no cenário empresarial torna evidente a necessidade de as empresas gerirem de forma estratégica e mais eficiente a área de Recursos Humanos.
Decorrência disso é a maior vigilância e a clara tendência de adoção de práticas corporativas pautadas na ética, na observância da Legislação Trabalhista e, principalmente, de práticas voltadas à melhoria no processo de Gestão de Pessoas.
Constatamos em nossas pesquisas e estudos que boa parte dos conflitos trabalhistas tem origem no desconhecimento ou em falhas na aplicação da legislação por parte do empregador e, também, do relacionamento entre colegas de trabalho nos diversos níveis da hierarquia empresarial. Contudo, parcela importante dos litígios decorre da inabilidade no trato de subordinados, que com frequência dá ensejo a pleitos de indenizações por danos morais.
De outra parte, do lado do empregador há fundadas dúvidas sobre como demitir um trabalhador por justa causa, no caso de falta grave, inclusive da prática de ato de corrupção, em voga desde a edição da Lei n° 12.846 de 1º de agosto de 2013 em vigor e que jogou luzes sobre imprescindível conduta ética nas relações de trabalho.
A lei anticorrupção estabelece normas para prevenção de conflitos de interesses públicos e privados, responsabilizando a empresa por fraudes ou atos de corrupção, mesmo que não tenha autorizado o ato ou que o ato não seja de conhecimento de seus dirigentes.
Por essa razão é recomendável a implantação de código interno de ética e de programa eficaz de Compliance Empresarial, perfilhado às melhores práticas de Gestão de Pessoas. Tais medidas impactarão positivamente no clima organizacional, pois a satisfação das pessoas por fazerem parte de um ambiente de trabalho ético e íntegro melhora sensivelmente.
Contudo, a existência de código de conduta ética não garante o sucesso efetivo do Programa de Compliance Empresarial. É, por isso, muito importante que os gestores estejam envolvidos no programa, para desenvolver e aprimorar a cultura em toda a organização, acompanhando e revisando constantemente as práticas adotadas na empresa.
Eventual conduta incompatível deve ser cuidadosamente apurada, evitando-se exposição indevida das pessoas envolvidas, mas com a adequada divulgação interna para evitar a repetição de atos ou fatos reprováveis. Sendo transparente, a empresa atrairá a confiança de seus colaboradores e gerará credibilidade para os sistemas de proteção.
Portanto, Compliance Empresarial ou Trabalhista não se dissocia da gestão eficiente dos Recursos Humanos, devendo estar no topo das prioridades dos gestores de todas as organizações.


* Alexandre Tarciso Tavares é consultor responsável pela consultoria empresarial trabalhista na empresa Pactum Consultoria Empresarial e sócio responsável pela consultoria e contencioso estratégico trabalhista empresarial da banca  Piazzeta, Boeira e Rasador Advocacia Empresarial em São Paulo. É titulado especialista em Direito e Processado Trabalho pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. É Advogado trabalhista empresarial há 15 anos com foco em  gestão estratégica de práticas trabalhistas e comportamentais.  É Articulista, Palestrante. Integrante do PNBE – Pensamento Nacional das Bases Empresariais. Membro efetivo da Comissão de Direito Material do Trabalho da OAB/SP.

Comentários

Patrocinado

Patrocinada

Patrocinada
Loja Uol

Postagens mais visitadas deste blog

Artigo: Relacionamento interpessoal

Relacionamento interpessoal “Relacionamento é tudo. Ou quase tudo” Profº Marcelo Veras foto Arquivo Pessoal   Por Marcelo Veras* Com este artigo, inicio um novo ciclo de reflexões sobre mais uma competência comportamental que, como se diz por ai: “desde que o mundo é mundo”, tem ocupado uma posição de destaque entre as competências responsáveis pelo sucesso de pessoas na vida pessoal e profissional. É o famoso  Relacionamento interpessoal . Como um belo exemplo de pessoa tímida, caseira, que não gosta muito de eventos sociais e que não nasceu com o  chip  das pessoas bem relacionadas que têm a almejada virtude de fazer amigo até em fila do cinema, eu acreditava (equivocadamente), por muito tempo, que se fizesse o meu trabalho bem feito, no prazo e com qualidade, o meu futuro estaria garantido. Profundo erro, descoberto logo nos meus primeiros anos de carreira. Confesso que sofri muito quando vi pessoas que considerava bem medianas obtendo êxitos e alça...

O cuidado com a saúde mental nas empresas vai aumentar

  *Rui Brandão Cuidar da saúde mental dos colaboradores sempre foi necessário, mas, de uns tempos para cá, tornou-se essencial para a sustentabilidade dos negócios das empresas e para o bem-estar das pessoas que nelas trabalham. Mudanças legislativas têm pressionado as organizações a buscarem caminhos que levem ao equilíbrio da saúde da mente. Uma das mais recentes e importantes é a Portaria 1.999, de 27 de novembro de 2023, que atualiza a lista de doenças do trabalho de 182 para 347. Ela põe o burnout e abuso de drogas, por exemplo, ao lado da ansiedade e depressão como enfermidades que podem ser adquiridas em ambiente corporativo. Outro exemplo para incentivar boas práticas corporativas é a criação de estímulos para instituições que incentivam o zelo à saúde mental dos colaboradores, por meio da Lei n° 14.831, sancionada em março deste ano. Ela prevê a concessão do Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental às organizações que geram mais bem-estar a seus funcionários. O r...

Novo ano, velhos problemas e novas respostas

Bruno Borgonovo é fundador e CEO da BRW Suprimentos divulgação / BRW   O início de um novo ano traz consigo não apenas uma sensação de recomeço, mas também uma lista renovada de desafios. Em 2025, as incertezas econômicas, as mudanças climáticas, o avanço tecnológico e a nova dinâmica do mercado de trabalho colocam as organizações diante de um cenário inédito e cada vez mais complexo. O que funcionou no passado pode não ser mais eficaz. Velhas fórmulas não bastam para enfrentar novas crises. Empresas que insistem em respostas ultrapassadas para problemas atuais correm o risco de ficar para trás. A solução? Resiliência organizacional. Resiliência não significa apenas resistir às crises, mas também adaptar-se, aprender e transformar desafios em oportunidades. A pandemia de covid-19 deixou uma lição clara: o mundo é imprevisível e exige agilidade. Organizações que conseguiram se reinventar — investindo em novas tecnologias, ajustando processos e ouvindo suas equipes e clientes — ...

Patrocinado

https://click.afiliados.uol.com.br/Clique?idtUrl=397642&cpg=Mzk3NjQy&source=144&type=link&creative=SG9tZSBMb2ph&affRedir=https%3A%2F%2Fmeunegocio.uol.com.br%2Floja-virtual%3Faff_source%3Dae14226733424e5b905e2fa03e33d077